E entre tantos riscos que eu fiz nas pessoas,
Você foi a que mais evitei riscar.
De tantos sorrisos falsos,
O seu foi o que eu não queria acreditar.
E mesmo incumbindo-me de fingir que estava tudo bem,
Não consegui deixar de perceber o tamanho do equívoco que fiz.
Em meio a solidão, apenas queria guardar aqueles poucos,
E não assumir seus podres pontos de falsidade e interesse.
Mas agora prefiro a solidão, deitada em meu colo,
E não esquecendo-me em segundo plano.
Tentei, pensei e desisti.
Talvez, ao lado da solidão, terei mais companhia,
Do que ao seu lado.
Thiago Dias Corrêa.
Aquele momento em que paro e penso e não sinto-me em casa. Em que olho tudo e sinceramente não parece pertencer-me. Fugir, do que adiantaria ? Então penso melhor e sinto-me na obrigação de aceitar. Fazer de tudo para que nessa convivência com o que não pertence-me tenha menos atrito, para que essa aceitação fique menos dolorida. O duro é conseguir fazer disso algo menos dolorido, já que sentir-se em uma gaiola não é nada fácil. Ainda bem que livros, filmes e sonhos existem, são válvulas de escape para poder-se sair da realidade, na qual eu não pertenço. Exato, eu não pertenço a realidade.
Só existem dois remédio que podem diminuir a dor, um pouco mais do que livros, sonhos e filmes, um dos remédios chama-se dinheiro, algo criado por essa realidade na qual não pertenço. Algo capaz de transformar sonhos materiais em reais, uma vida digamos que menos dolorida, já que desejos materiais injetados no meu corpo humano podem ser realizados. O outro remédio chama-se amor verdadeiro, algo que não faço ideia de onde foi criado, algo capaz de mudar, transformar e tele transportar.
A válvula de escape mais poderosa, e que realmente não tem volta, é a morte. Mas esta é usada só em caso extremo. Quando você não enxerga mas nada além da tristeza e da revolta. Por isso, mesmo que não tenha-se os remédios, use deles como incentivo para não chegar a este ponto. Tenha esperança de um dia ter os dois, ou pelo menos um dos dois.
A realidade não é tão fácil assim, não foi criada por mim, e não queria que assim fosse. Mas válvulas, remédios e esperança estão aqui para isso, para que assim viver seja mais fácil. Para poder um dia descansar feliz.
Thiago Dias Corrêa.